Como a família real britânica é financiada e em que investe seus recursos

  • 26/06/2026
(Foto: Reprodução)
Rei Charlles III, usando a Coroa Imperial do Estado e o Manto de Estado, está sentado no Trono do Soberano enquanto discursa na Câmara dos Lordesda Grã-Bretanha, usando a Coroa Imperial do Estado e o Manto de Estado, está sentado no Trono do Soberano enquanto discursa na Câmara dos Lordes CHRIS JACKSON / POOL / AFP O rei Charles III tornou-se o primeiro monarca britânico a divulgar publicamente quanto pagou em impostos. Desde que assumiu o trono, em setembro de 2022, ele desembolsou cerca de 30 milhões de libras (aproximadamente R$ 207,5 milhões), provenientes de suas receitas privadas. O dado faz parte de um conjunto de informações que ajudam a entender como a família real britânica se financia: uma combinação de recursos públicos, rendimentos de propriedades históricas e fortunas pessoais. Dotação anual A Sovereign Grant é a principal verba pública destinada ao rei para custear suas funções oficiais. Ela cobre: manutenção das residências reais salários de funcionários viagens oficiais do monarca e membros da família real em representação da Coroa Entre 2025 e 2026, o valor foi de cerca de US$ 174,5 milhões (aproximadamente R$ 905,4 milhões). Para 2026-2027, a previsão subiu para US$ 182 milhões (cerca de R$ 944,3 milhões), impulsionada principalmente pelas obras de renovação do Palácio de Buckingham. Já para 2027-2028, a dotação deve cair para US$ 132 milhões (cerca de R$ 685 milhões). No mesmo período, os custos com pessoal aumentaram cerca de US$ 44,5 milhões (aproximadamente R$ 230,9 milhões). Entre as viagens mais caras recentes estão: a visita de três dias do príncipe William à Arábia Saudita a viagem de quatro dias do rei Charles III e da rainha Camilla à Itália Os custos de segurança, no entanto, não entram na Sovereign Grant e são pagos separadamente pelo governo. Cálculo da atribuição A Sovereign Grant é vinculada ao desempenho financeiro do Crown Estate, o patrimônio imobiliário da Coroa. O valor corresponde atualmente a 12% dos lucros gerados dois anos antes, percentual que pode ser revisado ao longo do tempo. Nos últimos anos, o aumento da dotação foi impulsionado por receitas extraordinárias, especialmente com o arrendamento de áreas marítimas para parques eólicos. Crown Estate: o patrimônio da Coroa O Crown Estate é uma empresa pública independente que administra um vasto portfólio imobiliário da monarquia. Ele inclui: imóveis em áreas nobres de Londres terras rurais zonas costeiras o Castelo de Windsor direitos sobre o fundo do mar na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte O patrimônio é estimado em cerca de US$ 22 bilhões (aproximadamente R$ 114,1 bilhões). Embora associado à Coroa, o Crown Estate não pertence ao monarca como propriedade privada. Ele também não pode ser vendido nem administrado diretamente pela família real. No ano encerrado em março de 2026, o fundo registrou lucro líquido de US$ 643 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões), queda em relação ao ano anterior. Na Escócia, os ativos são administrados separadamente pelo Crown Estate Scotland, com receitas destinadas ao governo escocês. Rendas dos ducados Além dos recursos públicos, a família real recebe rendimentos privados dos chamados ducados: Ducado de Lancaster: rendeu ao rei cerca de US$ 33,3 milhões (R$ 172,7 milhões) Ducado da Cornualha: rendeu ao príncipe William cerca de US$ 28,5 milhões (R$ 147,8 milhões) Esses patrimônios históricos geram receita principalmente por meio de aluguel de terras agrícolas e imóveis comerciais e residenciais. Apesar de não administrarem diretamente os bens no dia a dia, o rei e o herdeiro definem diretrizes e aprovam decisões estratégicas. Os ducados também não podem ser vendidos. O vice-almirante Sir Tony Johnstone-Burt, mestre da casa do Soberano, segura um pequeno ventilador a bateria para o rei Carlos III da Grã-Bretanha durante uma recepção da Semana do Clima de Londres CHRIS JACKSON / POOL / AFP Impostos pagos pelo rei Desde 1993, o monarca britânico passou a pagar impostos voluntariamente sobre rendas privadas, prática iniciada no reinado de Elizabeth II. Embora não haja obrigação legal, o gesto é considerado uma forma de transparência. Desde a morte da rainha Elizabeth II, Charles III e o príncipe William declararam ter pago, juntos, cerca de US$ 66 milhões (aproximadamente R$ 342,5 milhões) em impostos. A divulgação ocorre em meio a maior escrutínio público sobre as finanças da monarquia, especialmente após debates sobre gastos com reformas de palácios.- Fortuna pessoal - Os membros da família real também possuem patrimônio pessoal. O rei é proprietário das propriedades de Balmoral e Sandringham, herdadas de sua mãe. Os bens transmitidos diretamente de um monarca ao seu sucessor estão isentos do imposto sobre sucessões. Agora no g1 Fortuna pessoal Além dos recursos institucionais, membros da família real possuem bens privados. O rei Charles III, por exemplo, é proprietário das propriedades de Balmoral e Sandringham, herdadas da rainha Elizabeth II. Esses bens, quando transferidos entre monarcas, são isentos de imposto sobre herança. Familia real britânica a caminho da cerimônia de Natal na Igreja de Santa Maria Madalena em Sandringham AP Photo/Jon Super

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/26/como-a-familia-real-britanica-e-financiada-e-em-que-investe-seus-recursos.ghtml


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