Joesley Batista se reuniu com Trump e articulou redução de tarifa sobre carne do Brasil, diz jornal
01/09/2026
(Foto: Reprodução) Joesley Batista dono da JBS
Divulgação
Joesley Batista, bilionário brasileiro e um dos controladores da JBS, fez lobby junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela redução das tarifas sobre as importações de carne bovina do Brasil, segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal.
A atuação do empresário teria como pano de fundo a alta dos preços da carne nos EUA. A JBS, maior processadora de carnes do mundo, tem forte presença no mercado americano e é controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.
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Segundo a publicação, Joesley se reuniu com Trump no Salão Oval da Casa Branca em 20 de agosto. Na ocasião, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo jornal, os dois discutiram como um aumento no fornecimento de carne bovina do Brasil poderia ajudar a reduzir os preços caso Trump eliminasse a tarifa de importação de 26%.
No dia seguinte, Trump anunciou nas redes sociais um plano para permitir temporariamente a entrada de mais carne bovina estrangeira nos EUA. Segundo o presidente americano, os produtos importados seriam vendidos com desconto de 25% em relação aos preços de mercado.
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Em comunicado divulgado no mesmo dia (21 de agosto), o governo brasileiro informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma conversa de 80 minutos por telefone com Trump.
Na conversa, foram discutidos temas como tarifas, combate ao crime organizado e as visões dos dois líderes sobre os conflitos atuais no mundo.
O Wall Street Journal afirmou não ter sido possível determinar quem organizou a reunião entre Joesley Batista e Donald Trump. O Brasil é o maior produtor de carne bovina do mundo.
Alta da carne e impacto político
A alta dos preços da carne bovina tem sido um desafio para o governo Trump, que busca reduzir o custo de produtos do dia a dia nos EUA.
O plano de reduzir temporariamente as tarifas sobre a carne importada, com o objetivo de aumentar a oferta e baixar os preços para os consumidores, enfureceu os pecuaristas e provocou fortes críticas de parlamentares republicanos e de grupos do setor.
A National Cattlemen’s Beef Association, maior entidade comercial de pecuaristas dos EUA, afirmou que a intervenção do governo só prejudicará os produtores e dificultará a estabilidade de longo prazo da indústria de carne bovina.
Segundo o Wall Street Journal, a decisão também enfrentou resistência de republicanos que disputam eleições acirradas nas eleições de meio de mandato em áreas rurais.
A relação da JBS com o governo Trump
O jornal afirma que a JBS desempenhou um papel importante na formação das posições do governo Trump, antes mesmo da ordem que ampliou temporariamente as importações de carne bovina.
A publicação também destaca que a Pilgrim’s Pride, segunda maior processadora de frango dos EUA e controlada majoritariamente pela JBS, contribuiu com US$ 5 milhões para a posse de Trump, tornando-se a maior doadora.
A relação da JBS com o governo Trump ocorre enquanto o Departamento de Justiça investiga as quatro maiores processadoras de carne dos EUA, incluindo a empresa, para determinar se elas estão envolvidas em práticas anticompetitivas.
As companhias negam qualquer irregularidade e enfrentam dificuldades financeiras à medida que o gado fica mais caro para ser processado nos EUA. Segundo o jornal, Tyson Foods e JBS fecharam unidades depois de perder centenas de milhões de dólares no processamento de carne bovina.
A expansão da JBS
Para a JBS, importar mais produtos brasileiros para os EUA permitiria à empresa ampliar sua participação no mercado americano, segundo o Wall Street Journal.
O Brasil enviou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina para os EUA nos primeiros seis meses deste ano, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA.
A JBS começou como um frigorífico familiar no Brasil. Desde então, expandiu-se e se tornou uma das maiores processadoras de carne bovina dos EUA e do Brasil, empregando cerca de 280 mil pessoas em mais de 20 países, destacou o jornal.
Em 2025, a empresa listou suas ações na Bolsa de Nova York. Segundo o Wall Street Journal, a expectativa era atrair um grupo maior de investidores e consolidar a imagem da companhia como uma gigante americana do setor de carnes.
De olho em outros mercados
Além da JBS, os irmãos Batista controlam a J&F, holding com negócios nos setores de celulose, mineração, energia, higiene e limpeza, serviços financeiros, petróleo e gás e comunicação.
Neste mês, Joesley e Wesley também compraram 100% da Avibras, uma das principais empresas da indústria de defesa do Brasil. A operação foi realizada por meio da Globe Investimentos, empresa de investimentos dos irmãos.
A operação envolve a Nova AVB, estrutura criada durante o processo de reestruturação da Avibras. O negócio foi notificado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas o valor da transação não foi divulgado.
A Avibras enfrentava uma grave crise financeira e estava em recuperação judicial desde 2022. A empresa também passou por um longo período de paralisação e por uma greve que durou mais de três anos.
Como parte da reestruturação, os ativos industriais e tecnológicos foram concentrados em uma nova estrutura empresarial, enquanto a companhia original permaneceu com os passivos submetidos ao processo de recuperação judicial.