Quem é Niño Guerrero, chefe do Tren de Aragua morto em operação dos EUA e da Venezuela
13/06/2026
(Foto: Reprodução) Aviso divulgado pelo governo venezuelano oferecendo recompensa por informações sobre Héctor Guerrero
CONTA DO MINISTÉRIO DO PODER POPULAR PARA RELAÇÕES INTERNAS DA VENEZUELA
Uma operação conjunta entre os Estados Unidos e a Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero", apontado como o principal chefe da organização criminosa transnacional venezuelana Tren de Aragua. A informação foi confirmada e divulgada nesta sexta-feira (12) pelas autoridades de ambos os países.
Segundo o presidente americano, Donald Trump, o Comando Sul dos EUA organizou um ataque rápido e letal. O governo da Venezuela confirmou que também participou da operação, realizada no sudeste do estado de Bolívar, e informou que Guerrero foi "neutralizado" em confrontos com grupos criminosos.
Abaixo, veja o que se sabe sobre Guerrero.
Nascido em 1983 em Maracay, capital do estado de Aragua, Guerrero iniciou sua "carreira" no crime no começo dos anos 2000 com pequenos delitos e roubos. Em 2005, atacou uma delegacia de polícia e matou o cabo Oswaldo González.
Foi preso em 2010 por tráfico de drogas, homicídio e roubo, sendo enviado à prisão de Tocorón. Guerrero escapou do presídio em 2012, tornando-se um dos criminosos mais procurados da Venezuela, até ser recapturado em 2013 e devolvido à mesma unidade.
Em fevereiro de 2018, foi formalmente condenado a 17 anos de prisão por crimes como homicídio, tráfico de drogas, roubo de identidade e ocultação de armas de guerra, mas não cumpriu a totalidade da pena.
Agora no g1
Comando de presídio com luxos de hotel
Mesmo atrás das grades, Niño Guerrero continuou a chefiar o Tren de Aragua. Ele impulsionou a expansão da facção para torná-la uma das maiores organizações criminosas da América Latina, aproveitando-se do fluxo migratório gerado pela crise econômica venezuelana.
Durante os anos em que esteve no controle do Centro Penitenciário de Aragua (prisão de Tocorón), o local ganhou uma infraestrutura construída sob o seu comando que era comparável à de um hotel de luxo.
A estrutura contava com:
piscina, boate e cassino;
playground e estádio de beisebol;
bares, lojas de bebidas e restaurantes com esplanada;
caixas eletrônicos;
criações de porcos e galinhas;
um zoológico que exibia animais como onças, pumas e avestruzes.
Em 2023, as autoridades venezuelanas realizaram uma megaoperação militar para tentar retomar o controle do presídio. Na ação, foram encontrados arsenais de guerra (incluindo granadas, lança-foguetes e explosivos), além de túneis secretos para o exterior. Guerrero conseguiu fugir na ocasião.
À época, a jornalista e pesquisadora Ronna Rísquez, autora de um livro sobre a facção, alertou que a intervenção na prisão não significava o desmantelamento da organização.
Processos nos EUA e conexões políticas
Em dezembro de 2025, o governo de Donald Trump acusou formalmente Guerrero em um tribunal federal de Manhattan por crimes como conspiração para extorsão (racketeering), terrorismo, importação de drogas e crimes relacionados a armas de fogo.
O Departamento de Justiça dos EUA oferecia uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura. Além disso, o líder do Tren de Aragua consta como réu no mesmo processo federal em Nova York que envolve o líder venezuelano Nicolás Maduro.
O caso também traz como acusados a esposa de Maduro (Cilia Flores), o ministro do Interior da Venezuela (Diosdado Cabello) e um dos filhos do governante venezuelano