“Se não me prenderem, vou continuar”, diz fiel que teve culto doméstico impedido pela polícia

06/04/2020

Carina Andrade da Silva lamenta não poder ir à igreja neste momento.

Carina Andrade da Silva e mais quatro fiéis da Assembleia de Deus em Forquilhinha (SC) começaram uma campanha de cinco dias de oração em casa por causa da suspensão dos cultos na igreja. Na segunda quinta-feira da campanha, a reunião foi interrompida pela polícia por “violar” o decreto do governador do estado, Carlos Moisés (PSL).

Ao Gospel Prime, Carina contou que a polícia chegou à frente de sua residência, ligou a sirene e “fez barulho”, mas não saiu da viatura. Ela saiu de casa e foi até o veículo para ouvir do policial que precisava interromper a reunião.

Ela diz que explicou ao policial que estavam “só em cinco em irmãs” e questionou o oficial sobre a quantidade de pessoas que seria considerada aglomeração, mas ele ” não soube responder”. O policial foi irredutível e registrou o Boletim de Ocorrência, ainda dentro da viatura.

No dia seguinte, sábado (4), após a repercussão do caso que viola a Constituição, segundo juristas consultados pela redação, o comandante-geral da Polícia Militar em Santa Catarina (PMSC) coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, visitou a casa da fiel, no que pareceu ser um ato político a mando do governador.

Carina diz que ficou assustada com a comitiva policial que foi a sua casa. “O coronel disse que os policiais não podiam interromper o culto”, mas que não estava pedindo desculpas pelo erro, apenas fazendo “esclarecimentos”, salientou.

No encontro, o coronel Araújo levou “presentes” para a fiel, entre eles cestas-básicas, álcool em gel e chocolates “para as crianças”. “Eu fiquei até impressionada, porque na hora que me abordaram [interrompendo o culto], eles falaram uma coisa, e o coronel já disse que não tinha problema”, diz. “O que a gente não pode é deixar de cultuar”, exclamou. “Isso eles não podem nos impedir, né?”, questionou.

Concluiu dizendo que “provavelmente eu vou continuar o culto. Se eles voltarem, eu paro de volta. Se eles não me levarem presa, né?”.

Ela revelou que tem vontade de continuar os cultos domésticos. “Se a gente não vai na igreja, se já não faz culto lá, o mínimo que podemos fazer é juntar algumas irmãs – com certeza sempre se cuidando – e cultuar a Deus”, afirmou.

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